Clark Takashima concede entrevista exclusiva para o cabecaFeita direto do Hawaii. O artista aborda assuntos que vão desde arte ancestral, técnicas de pintura e uns toque sobre natureza. Confira abaixo tudo o que rolou nesse papo. Bom Surfe!


 

Procurando dentro de suas lembranças, como foi sua primeira percepção de arte?
A mesa da cozinha era onde meu pai me ensianva a desenhar com cinco anos de idade. Eu já desenhava aviões á jato com riqueza de detalhes. Então com oito até os doze anos de idade, a cada verão, eu viajava com meu tio em um barco de pesca em alto mar. Eu desenhava os peixes, o barco, os caras pescando. Com quinze anos, meu amor pelo surfe começou e não parei mais. Na real, eu arranjei um jeito de continuar minhas experiências que eu tinha dentro dágua, pintando o que eu sentia.

Você se inspirou em algum grande artista ou mestre?
Os artistas que mais me inspiram são aqueles que têm algo a mais. Muitos dos grandes mestres antigos, além de pintores, são artesãos ou inventores, como DaVinci, Picasso. Eles são bons em tudo o que fazem.

Quais são suas técnicas de pintura?
Eu uso basicamente tinta acrílica em tela ou madeira coberta com um tipo de papel específico, e uso cerâmica para minhas esculturas. Mas, eu já me peguei desenhando ondas nos azuleijos do banheiro também ahahaha

Onde você busca inspiração? Sua arte flui em qualquer lugar, seja na praia ou num quarto fechado no centro da cidade? A atmosfera externa influencia seu trabalho?
Eu acho que sim, a atmosfera externa afeta diretamente alguns artistas. As ondas tem sido minha principal fonte de inspiração e amor desde lá do começo. Tubos principalmente. Isso tudo está dentro de mim e pode vir á tona fechado num quarto, num avião ou qualquer lugar. Nada pode me deter haha! Muita gente me diz: ” Você deveria pintar isso ou aquilo se quiser ter sucesso”. Mas tenho obssessão para pintar ondas e o surf. Então, sim! Eu posso pintar qualquer coisa em qualquer lugar. Seja em um grande mural, um muro na cidade, numa parede de um restaurante italiano, hawaiano ou japanes ou mesmo pintar uma tela.

Como é o seu estúdio, ou o local onde trabalha?
Meu estúdio? Hummm…é segredo! ahaha. Na real, tenho uma bancada na minha sala de estar perto do computador. E uso minha garagem para os quadros de grandes formatos e para as minhas cerâmicas e esculturas.

Sua arte é o realismo e impressionismo, que leva o espectador a uma viagem para dentro do quadro. Podemos sentir a atmosfera que você está criando. Você segue uma tela mental dentro de sua mente enquanto pinta suas artes?
Sim, principalmente nas planícies da minha mente. Para a “Dream Tour Series” eu tenho que admitir que usei muitas referencias em fotos para obter cada ângulo, cores e formas, etc. Mas meu cerebro tem uma porrada de Gigabytes arquivados com imagens de surf para poder criar meus quadros, u-huuuu

anguloA posição e os ângulos dos seus quadros são bem carcterísticos. Você coloca o espectador dentro d´água junto com o surfista. Esta é a sua maneria de retratar o mundo do surf, é como vc sente o surf?
Sim, principalmente porque tento mostrar um jeito das pessoas sentirem como é flutuar sobre as ondas ou voar sobre elas. Há muito bons fotógrafos hoje, e os ângulos que ele nos proporcionam com as fotos é como se você estivesse dentro d´água. Então, quero mostrar o que eles não podem, ângulos que não são possíveis. Com minhas pinturas eu quero preencher o lado periférico dos olhos, como uma lente grande-angular, criando novos ângulos para espectador experienciar.

Você realmente se preocupa com a natureza! Você acha que sua arte é uma espécie de mensagem, um toque sutil de consciência para a galera que vê seus quadros?
Sim, definitivamente! Um lembrete para os humanos que podemos cuidar com nossas mãos do presente que o universo nos deu. Os nossos ancestrais sabiam disso e viviam estritamente sob as leis da natureza. Nós, os surfistas somos como um pássaro dentro de uma mina de carvão. Podemos ser os primeiros a pegar uma doença grave transmitida por águas poluídas, porque estamos imersos nela diariamente. Há muito o que fazer e eu desejo que não seja tarde demais. Nós podemos todos juntos fazer a diferença todos os dias. Não importa se é uma pequena ajuda, todos nós podemos fazer algo para preservar o presente que os deuses nos deram!

Você tem algum ritual, meditação ou prepração ante de começar uma nova pintura?
De novo, é um segredo! Ahaha…Não! Na verdade há muita idéia na minha cabeça sobre o surf. Eu olho para uma tela em branco e já vejo as formas aparecerem nela. Tipo, sabe quando você fecha os olhos e vê formas distintas aparecerem na sua cabeça? Isso acontece com você também, certo? ahahaha

Quando vemos uma obra sua, logo de cara percebemos que é o Clark. As cores, o traço, a perspectiva, os ângulos…como você definiu eu estilo?
Meu estilo é envolvido por uma série de mistérios. É quase que uma série de correções de uma pincelada de sorte. Nenhuma onda, nunca irá sair exatamente igual à outra, como é na natureza. As características do surf são as mesmas, mas o drop e a sensação são diferentes em cada onda surfada, assim funciona cada pincelada que eu pinto.

Podemos perceber que seus quadros são feitos com amor. É difícil para você vender suas obras?
Eu vendo quadros à todo instante. Eu sei que ele irá para alguém que realmente se apaixonou pela obra. Quase sempre tenho vontade de dar e não vender o quadro. E quando a Deborah, minha diretora de marketing, vê a obra pronta, dificilmente ela quer vender também ahahah

Como você vê o crescimento da Surf-Art hoje?
Estou achando ótimo. A Surf-Art já conquistou sua categoria! Há muitos artistas espalhados por aí trabalhando nesse estilo. Arte e surf estão ligados por uma forma de expressão. Sinto que qualque pessoa pode ser um artista. Eu espero que todo surfista possa vir a ser um artista, com sucesso em sua expressão e feliz com o que faz. Se alguém me pergunta algo ou uma dica, fico orgulhoso em ensiná-las. Gostaria que a Surf-Art se tornasse uma classe, assim como cubismo, impressionismo, etc. A comunidade Surf-Art ainda é pequena, mas há muitos artista no mundo e há lugar para todos, não acha?

Aqui no Brasil, a Surf-Art vem crescendo. Um pouco devagar, mas já temos uma boa quantidade de bons artistas mandando brasa. Você tá ligado que sua arte inflencia essa galera?
Sério? Que irado! Ficou muito honrado com isso. Pow, tô amarradão mesmo!

Fale sobre a arte hawaiana. Quem você curte ou se inspira?
Eu gosto do Herb Kane. Ele é histórico para os hawaianos. Há muitos artistas bons vindo de um lugar inspirador como o Hawaii, é difícil citar apenas um. Mas em Surf-Art eu gosto do Steven Powers.

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Herb Kawainui Kane
A Gathering of Chiefs | 15′ x 7′ | Acrylic on 4 plywood panels | Completed April, 2006 |

Você ensina alguém a fazer arte?
Sim. Eu estou dando aulas de desenho e pintura para adultos. É um sentimento gratificante você poder ver pessoas arrumando um jeito de se expressar.

westside-secretQuais os picos que você gosta de surfar?
Na real, to surfando pouco! Minhas sessions tem diminuído devido minha idade. Em meus vinte-trinta anos eu gostava de surfar picos como Pipe, Sunset, Log Cabins, Velzyland…Kewalos. Só queria saber de surf, surf e surf. Eu procurei realizar o máximo de experiências possíveis, mas nunca no nível profissional. Eu tinha que trabalhar isso, mas mesmo assim consegui sentir toda a atmosfera e força de Pipe, eu tive meus bons momentos. Agora, é arte, arte e arte. Eu procuro estar focado em apenas uma coisa em minha vida. Eu ganhei uma viagem para Fiji, então posso voltar aos treinos. Yeah, estou indo em Maio deste ano, epero que possa fazer um bom surf.

Qual o som que faz tua cabeça, Mr. Clark?
Foo Fighters, Nirvana, Collective Soul, Bob Marley,Dave Matthews, Peter Gabriel, Red Hot Chili Peppers, Pepper.The doors, Led Zeppelin. A lista é grande, eu fui a muitos shows durante 10 anos e mesmo assim ainda preciso ver mais. O som tendo uma vibe bacana e uma boa linha de baixo, faz minha cabeça!

No Brasil, a molecada está pintando com as próprias mãos suas pranchas. É uma maneira de expressão, de passar uma mensagem. Como você vê isso?
Eu ando falando com uma galera que quer colocar minha arte nas pranchas. Há muitos bons artistas fazendo isso, como Drew Brophy. Tem o Ritts também arrebentando. Eu acho que os garotos hoje tem muito o que falar, e um jeito de experimentar isso é realmente fazendo arte com o que tem em mãos. Mandem brasa molecada!

Você esteve em uma exposição do Van Gogh. Como foi o encontro com o mestre?
Sim, em Amsterdã! Eu fui três vezes já e sempre acho a vida dele interessante. Gosto de passear nas ruas de Rembrandt como ele mesmo fazia. As luzes, a tonalidade das águas e atmofera da cidade é igual á que ele pintava nos quadros. Para qualquer artista, ver o trabalhos de um grande mestre é uma experiência de aprendizado. Como uma esponja absorvendo a água!

Fale sobre a “Dream Tour Series”. O que é e como funciona?
A Dream Tour Series é a minha maneira de conscientizar a todos de como cuidar desses lugares todos, ou seja, onde você surfa, vive, trabalha e curte. A Tour viaja pelo mundo, colhendo relatos de como você é em sua casa, em seu país, tendo o estilo de vida do surf como fator comum. Uma espécie de troca de experiências. Nó todos somos os mesmos, amamos as mesmas coisas, tais como surf, musica, moda, amor pela nossa família, etc.

Como é sua relação com a internet?
Ahhh a internet! È a melhor maneira de você mostrar seus trabalhos, sem dúvida! Sites como Facebook e Myspace. Manter isso tudo requer um pouco de tempo, mas permite ao artista mostrar seu trampo para o mundo. Antes da web era tudo muito mais difícil.

Fale uma frase que você diz a si mesmo para expressar boa vibrações.
Sempre mantenha profundamente seu foco! Faça arte, pinte! E não pode faltar a expressão ALO-HA, que diz muito aos havaianos, significa o sopro de Deus no Hawaii.

copy-3-of-pc120851O que te deixa de cabeça-feita?
Eu já estive em tubos alucinantes, já escalei torres de rádio altíssimas, já vi muitas cenas lindas e inesquecíveis, vi uma porrada de shows, mas o que faz minha cabeça é o meu amor por Deborah. Me sinto com sorte por estar com este amor todos os dias e poder crescer como pessoa compartilhando isso. Próximo à essa sensação, é ter pessoas como meu novo amigo Fernando Bari por perto, e no inverno passado, Hilton Alves do Brasil que me perguntou se eu queria pintar um quadro de Pipeline durante o Pipemaster rolando. Ele pintou Backdoor e eu o lado esquerdo de Pipe. Enquanto eu pintava, decidi presentear o ganhador com a obra. E todos nós lá sabíamos quem seria o campeão ahahaha…Então, o que realmente faz minha cabeça mesmo são as grandes amizades, que são sentimentos reais!

| Foto: Hilton Alves, Kelly Slater e mestre Clark |

A arte de Clark Takashima é….
Um dia de surf perfeito com altas ondas e tubos por horas e horas….

 

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