

POR: F. BARI
cabecaFeita: Desde pequeno você está envolvido com shapes de pranchas, na fábrica de seu pai Lance Surfboards. Como foi sua primeira percepção do surf?
Richie Collins: Eu era muito garoto e esperava ser como meu pai, ou seja, shapear pranchas. Eu procurava estar sempre junto á ele na loja e também no surf. Nós tínhamos uma surf shop na praia e um dia resolvi grudar numa prancha e começar a surfar.
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| Primeira foto publicada |
Aos onze anos, você teve sua primeira foto publicada em uma revista de surf. Naquele tempo, sabia que o seu caminho seria o surf?
Exato, eu tinha onze anos de idade, quando via a foto fiquei em choque. Me lembro de minha mãe e meu pai olhando a revista, e quando chegou na página da minha foto, eles me mostraram e eu não dei bola, achei que era uma amigo meu. Quando eu percebi que era eu quem estava ali, fiquei realmente chocado, não podia acreditar naquilo. Todos meus brother ficaram amarradão quando viram a foto também.
No passado, você criava confusão no mundo do surf com as coisas que dizia, o jeito que surfava, e até a sua maneira de se vestir. Continua o mesmo ou mudou muita coisas desde que se tornou um grande pai?
Sou exatamente o mesmo, mas um pouco mais maduro hoje. Tenho que ficar me lembrando o tempo todo que, hoje não sou apenas eu, que agora tenho uma família que depende e precisa de mim, então tenho que arrumar um jeito de ser mais cuidadoso em meus atos.
Você aprendeu como fazer seu próprio equipamento, do corte do shape até o glass. Porque você decidiu surfar e correr os campeonatos com as pranchas que você mesmo fazia?
Shapei minha primeira prancha quando eu tinha onze anos de idade, daí fiz a próxima com treze anos. Finalmente eu comecei a shapear e construir todas as minhas pranchas e surfar com elas depois dos quatorze. Na real, eu queria ser como meu pai, um construtor de pranchas. Me aprofundei bastante no assunto, aí comecei a aprender tudo, desde o design até na performance da prancha dentro dágua. Comecei a construir pranchas triquilhas, e depois começamos a fazer quadri-quilhas. Na época, as biquilhas ainda eram as mais populares, mas as de 3 e 4 quilhas estavam ganhando espaço no mercado, aí fui me dando bem. Foi uma época muito boa da minha vida, principalmente por fazer parte desta evolução das pranchas, e de lá pra cá venho fazendo as minhas com minhas próprias mãos.
Como nasceu a WaveTools, as mágicas pranchas que você surfava nos campeonatos?
Minha mãe e meu pai começaram com a marca WaveTools em meados de 1969. Meu pai já fazia shapes antes disso, pois ele tinha idéias próprias e inovadoras de como deixar a performance da prancha cada vez melhor. Eu acho que fui por esse caminho por acreitar que tal pai, tal filho.

Ainda está fabricando a WaveTools?
Não, não estou mais shapeando pranchas sob a marca WaveTools. Eu tenho feito pranchas com a minha marca já há alguns anos. Eu criei um monte de nomes diferentes, mas finalmente decidi usar meu próprio nome na marca, Richie Collins Surfboards.
No passado, a WaveTools era mágica sob seus pés. Você dava aéreos, longos floaters e mandava snaps durante as baterias. Você acha que o jeito que surfava mudou algo na maneira dos juízes avaliarem as manobras a partir daí?
Eu acho que o meu estilo de surf influenciou grande parte do que é surfado nos campeonatos de hoje em dia, tais como as manobras mais radicais e mais ousadas. É uma pena os garotos de hoje em dia não se ligarem de onde nasceram essas manobras. Minas influências vieram de caras como Mark Richards, Shaun Thompson, Cheyn Horan, Rabbit, Dane, Larry Bertlman, Buttons, Simon Anderson, Tom Carroll, Tom Curren, Occy, Richard Cram e a lista continua.
Fernando, vamos fazer uma pausa na entrevista, é hora de ir surfar com as crianças.
(N.do R. – Richie demorow dois dias para retomar a entrevista depois da pausa)
Você mandava muito bem nos floaters pela maneira que executava a manobra. O estilo, a força e o jeito com que despencava do lip. Muitos garotos na época cresceram influenciado por isso. Como vê essa influência nos dias de hoje?
O floater é uma manobra de transição de um ponto ao outro da onda. Os garotos de hoje não tem o menor indício de onde surgiu essa manobra, e mesmo assim, todos eles executam a manobra.
Qual foi a sensação de derrotar Tom Curren naquela final histórica?
Em 1989 quando eu derrotei Tom Curren no OP Pro foi simplesmente incrível. Aquela vitória maravilhosamente construiu o que sou hoje. O cara era imbátivel, e não há muitas pessoas no mundo hoje que possa dizer que derrotou Tom Curren em uma final.
Após 10 anos sem surfar, você voltou em uma competição no Brasil. Ficou surpreso quando viu o assédio da mídia e da galera no Brasil?
É assim que o surf é, como todos os outros esportes. Quando você tem alguém como eu, que fiquei parado, com a minha história e que volta e mostra o seu surf numa competição, ganhando ou perdendo, é uma grande publicidade para todos os envolvidos, seja as grandes marcas que patrocinam o evento, ou a mídia, todos eles se alimentam disso. Eu particularmente adorei a resposta e apoio de todas as pessoas no Brasil, e pelo mundo todo quando eu voltei. Mas por alguma razão, todas as empresas ligadas ao surf acham que não tenho mais valor em competir.

Richie em 2008
No Brasil, você chegou com uma quadriquilha na bagagem e surfou com ela. Essa foi uma boa maneira de voltar às competições, levando a galera de volta ao passado?
É sempre bom trazer boas lembranças do passado para os dias de hoje. As pessoas têm boas recordações daqueles tempos, pois cresceram assistindo aquilo e quando faço esse tipo de coisa, sempre arranco um sorriso e ativo aquele pensamento de que fizeram parte daquela época áurea do surf.
Você escrevia coisas em suas pranchas, o que acha das artes em pranchas?
È muito interessante, porque vejo uma porrada de garotos nos dias de hoje escrevendo coisas em suas pranchas. Eu acho isso legal, porque é uma maneira de auto-expressão, uma maneira de passar a mensagem do que consquistaram e ainda vão conquistar.
Quais os picos que fazem a sua cabeça?
Eu realmente não tenho um lugar predileto pra surfar. Eu apenas gosto de ir surfar num pico rolando 3 ou 4 pés de onda, pegar um bom tubo e destruir um lip. Quando eu era mais jovem, meu pico predileto era Sunset Beach, no Hawaii.

| Meah se preparando pro surf |
Você se empolgou a voltar a surfar depois de ver sua filha Meah pegar onda. O lance é ir pro outside com ela?
Estar apto e com tempo para levar minha Meah para surfar e ter certeza de que ela pegou todas as ondas é a melhor sensação do mundo. Entre a carreira de modelo e o surf, agora quem decide é ela. Se ela decidir ir em frente com o surf, tem que se dedicar, ela tem apenas nove anos, mas mesmo assim, pra ser uma Top Pro nos próximos dois anos, tem que dedicar a isso e competir. Eu realmente espero que ela venha a ser a campeã mundial mais jovem da história, e fazer mais do que eu fiz nas competições, isso se ela decidir mesmo competir no surf.
Em quais surfistas você se inspirou?
Minha principal inspiração veio dos australianos como Mark Richards, Cheyn Horan, Rabbit, Simon Anderson, Kong e alguns havaianos também como Dane, Larry e Buttons. Há muitos outros surfistas que me influenciaram e que eu cresci adimirando, mas meu surfista predileto sempre foi Mark Richards.
Diga uma frase que diz a si mesmo para expressar boas vibrações.
Você tem que aprender a cair antes de andar. Você tem que andar antes de correr e quando você pode correr, já é a hora de aprender a surfar.
O que te deixa de cabeça feita?
Assistir minha filha Meah pegar onda
A Arte de Richie Clollins é…
Andar honestamente e em linha reta.
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